Arte combinatória
Um projeto que mistura conceitos matemáticos e poesia
11 de janeiro de 2026
Desenvolvido por Pedro Sim para o ILCML (Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa), o trabalho "Diagramas circulares de arte combinatória" explora uma experimentação poética e visual bem interessante. O site pode ser acessado aqui ou aqui.

O projeto traz discos inspirados nos volvelles antigos - discos concêntricos com partes móveis usados na antiguidade - criando diagramas que funcionam como dispositivos de criação aberta, nos quais o leitor participa ativamente da construção de sentidos. O resultado são breves textos poéticos, abertos a interpretações e associações livres, assim como experiências com imagens de máscaras.
No site, o usuário utiliza de click and drag para arrastar partes do círculo e fazer as combinações.
“A pesquisa sobre mecanismos interativos operados no plano tridimensional e em tempo real para a combinação de palavras conduziu-me à produção analógica de diagramas circulares.”
A inspiração veio da obra Ars Magna de Ramon Llull, um racionalista místico e alquimista do século XIII. O livro apresenta diagramas geométricos com círculos de diferentes tamanhos, cada um contendo palavras ou letras. Ao girar e combinar esses círculos, era possível formar várias proposições que serviam para demonstrar os princípios da moral cristã medieval.
Sim cita que as ideias de Leibniz e Llull buscavam estruturar matematicamente o pensamento, e abriram caminho para o futuro desenvolvimento da computação. Cita também um exemplo na música com Bach, Mozart e Hayd, que usaram algoritmos para ordenar notas escolhidas ao acaso.
Exemplos de como a combinatória e algoritmos foram usados no passado, e também a obra Cent mille milliards de poèmes de Raymond Queneau, onde também era possível combinar frases e linhas através de pedaços de papel, resultando em um número enorme de combinações de poemas.

O projeto de Pedro Sim traz a ciência da combinação para o campo das artes, que não apenas dialoga com a história da poesia experimental, mas também projeta novas possibilidades para o encontro entre palavra, imagem e tecnologia.